“A Frelimo deve mudar”

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O antigo ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, defende a restruturação da Frelimo, para se adaptar à realidade actual. Em Entrevista ao SAVANA, Zucula assinala que a Frelimo é um partido de massas, mas ficou diluída com as transformações políticas e económicas dos últimos anos.

O ex-governante afirma que sonha com uma Frelimo mais próxima do povo e que acabe com a incerteza dos moçambicanos em relação ao que vão comer no dia seguinte.

“Sem dúvidas. A Frelimo deve mudar” assim respondeu o antigo governante, quando questionado sobre a postura que a Frelimo deve tomar face às actuais dinâmicas de desenvolvimento.

“As dinâmicas endógenas e exógenas obrigam a esse rumo. O país de 1975 não é o mesmo de hoje. A mudança é clara. A Frelimo para sobreviver tem de se adaptar a essas dinâmicas. Veja que os congressos que se realizaram após a independência  foram  feitos  numa  altura  em que só tínhamos uma economia de mandioca.

Ninguém olhava para nós. Os congressos actuais realizam-se num contexto em que o país tem recursos naturais. Todo o mundo está de olho no país, as expectativas dos moçam- bicanos subiram bastante.

Enquanto no passado bastava gerir sonhos, hoje é preciso gerir expectativas e o processo de gestão de expectativas é muito mais complexo do que gerir sonhos. As expectativas criam frustrações mais rápidas.

Na altura, bastava um governante dizer que somos pobres, todo o mundo se conformava. Hoje, isso é impensável, as mentes dos moçambicanos são outras.

As  expectativas  do  jovem  de  ontem são totalmente diferentes da juventude de hoje. Veja que eu, que fui jovem nos primórdios da independência, quando olho para o país, as minhas referências são o passado, logo, chego à conclusão de que o país evoluiu. Porém, o jovem de hoje, quando olha para Moçambique actual, a sua referência é o mundo porque tem acesso às tecnologias de informação, logo, conclui que estamos atrasados.  Pelo que a Frelimo deve contextualizar a sua forma de agir e actuar sob o risco de defraudar as expectativas e cair no descrédito”.

Em relação ao facto de ser referenciado como o terceiro arguido no esquema das chorudas comissões cobradas no âmbito da compra das aeronaves do fabricante brasileiro Embraer, Zucula apenas respondeu que conhecia a acusação mas não podia comentar porque a lei o impede. “Tenho  conhecimento  desse processo. O mesmo está na procuradoria pelo que não posso falar dele, porque a lei me impede”.

Envolveu-se ou não neste negócio?

“O que posso dizer é que quem trabalha e toma decisões está sujeito a coisas desta natureza e é o que está a acontecer comigo. Contudo, estou pronto para colaborar com a justiça em tudo o que for necessário” prometeu.

Para o antigo ministro de Armando Guebuza, o problema de transporte público não será resolvido sem o pagamento de subsídios do Governo e lamenta o facto de os dirigentes continuarem a pensar que a rede pública é para pobres. Sublinha que a crise financeira da mCel lhe surpreendeu, porque quando deixou o executivo era uma empresa altamente rentável. A entrevista na íntegra pode ser lida na edição desta sexta-feira do semanário, num trabalho do jornalista Raul Senda.(Redacção).

SAVANA

 

 


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