Nyusi: O discípulo rebelde de Guebuza

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Nyusi acabava de se converter em Guebuza, em todo ou em miniatura. Se no passado se tinha esperança em Nyusi pela paz por si prometida, vimo-lo a promover a guerra, onde se esperava a democracia da parte dele, dá sinais de que se impõe com autoritarismo.

Onde se pensava que se demarcaria das dívidas ocultas, revelou-se, ele mesmo, uma conduta irresponsável ao ter anuído que a Assembleia da República as assumisse como soberanas. Nyusi defraudou o povo e parte dos membros do seu partido, por razões atrás referidas.

A confirmação, pela comissão política do partido Frelimo, de Filipe Nyusi como candidato à sua própria sucessão, longe de ser consensual, espelha o perigo e o motivo de preocupação que ele representa não só para os detractores internos, do partido, como à sociedade em geral, considerando que, directa ou indirectamente, as questões do partido referido influem na vida quotidiana do povo.

É preciso atentarmos aos sinais que a antecipação da candidatura de Nyusi pretende aludir. Um aviso à navegação. Transmite-se-nos uma mensagem de intolerância, de que não está disposto a enfrentar nenhum concorrente ou oponente, tal como o fez o Camarada Vila Pery, aquando da divulgação da candidatura do mesmo Nyusi, nos derradeiros momentos da governação Guebuza. Nyusi aprendeu muito bem de Guebuza, de que é preciso matar os crocodilos no ovo.

Por enquanto é só uma ideia. Uma pretensão, pois a batata quente está com o Comité Central do partido, a quem compete “apreciar e aprovar as propostas da Comissão Política referentes às candidaturas da Frelimo ou por ele apoiadas a Presidente da República”, citamos aqui o artigo 61 dos Estatutos do “Batuque e a maçaroca”, que fixa as competências da comissão política.

Como já se vê, fosse democrático o partido Frelimo, teria juntado ao nome de Nyusi outros potenciais candidatos já conhecidos, por serem do domínio público: Alberto Vaquina e Luísa Diogo.

Cremos que nos próximos dias outros grupos fragmentários virão ao de cima, a reclamar um processo aberto e democrático na escolha, não seja essa posição que causou desgaste político ao homem (Camarada Vila Pery), que acabou solitariamente expurgado, mesmo quando aparentava firmeza ao afirmar que não tirava nenhuma vírgula.

Apesar de se afirmar que a indicação de Nyusi surge do consenso, porém sabemos que a comissão política esteve dividida quanto à posição assumida como a de um bloco.

Portanto, mantém-se em aberto essa questão, pois sabemos que a Frelimo actual nunca esteve tão fragmentada como as outras Frelimos. Há o grupo de Guebuza que tem o seu candidato, o de Joaquim Chissano idem.

Internamente, está uma luta intestinal de cortar os nervos à faca.

Sabido que Nyusi nunca chegou a conseguir controlar o partido, não nos restam dúvidas de que o lançamento da sua candidatura representa um balão de ensaio para medir  a temperatura de outros potenciais contendores interessados. Dificilmente Nyusi conseguirá esmagar a oposição interna, sabido que estes órgãos derivam da engenharia guebuziana, sendo leais ao seu mentor e mestre, sendo também Nyusi, por tabela, discípulo rebelde de Guebuza. Resta saber por quanto tempo durará a resistência e a demonstração de força musculada de Nyusi, pois é no comité central onde tudo será decidido. E no comité central sobreleva a compra de consciência, de que sabemos, quem tem dinheiro compra os votos dos membros do mesmo comité central.

A questão criminal sobre as dívidas ocultas jogará o seu peso no comité central. Numa altura em que Guebuza debate-se com a rebeldia de Nyusi, susceptível de oferecer a sua cabeça, cremos que empregará todos os meios e influência ao seu alcance, para afastá-lo do controlo do partido.

Só esperamos que não estejamos errados. (Adelino Timóteo)

Canalmoz


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