Um obreiro sem obra visível

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Joaquim Chissano é nosso (nós moçambicanos) herói, sim. Ele abandonou o curso de medicina para se juntar à luta de libertação nacional, recrutado por Marcelino dos Santos e por Eduardo Mondlane.

Depois da morte trágica de Samora Machel, foi Joaquim Chissano que assumiu a presidência de Moçambique e conduziu o processo de pacificação deste país. Mas PECOU por não concluir o desarmamento da Renamo.

Não entendo por que os jornalistas NUNCA perguntam a ele (Joaquim Chissano) por que não desarmou completamente a Renamo, no quadro da implementação do Acordo Geral de Paz (AGP).

Por não desarmar a Renamo, depois de ter jurado CUMPRIR e FAZER CUMPRIR a Constituição da República de Moçambique, Joaquim Chissano cumpriu dois mandatos violando sistematicamente a Constituição da República de Moçambique, que ele jurara cumprir e fazer cumprir. É por isso que eu não consigo ver o “obreiro da paz” que alguns moçambicanos dizem ele (Joaquim Chissano) ser.

Hoje, Joaquim Chissano diz que «falta clareza» no diálogo pela paz. Eu pergunto:

Quando é que já houve clareza neste diálogo? Quando ele era Presidente?

É bom que fique claro para os moçambicanos que Joaquim Chissano é que armadilhou a paz em Moçambique. Este país só estaria em paz na condição de ele (Joaquim Chissano) continuar no poder. Como os camaradas tiraram-lhe o tapete, ele deixou um presente envenenado para os seus sucessores.

Espero que os meus compatriotas (moçambicanos) compreendam, agora, por que eu não vejo no Joaquim Chissano um obreiro da paz, mas sim um alguém que usou Afonso Dhlakama e Renamo para tentar manter-se no poder perpetuadamente.

Ainda assim, reconheço o papel de Joaquim Chissano na pacificação de Moçambique. Só não creio que ele seja esse “obreiro da paz”, qual alguns de nós (moçambicanos) o qualificam.

Vamos lá deixar de ser bajuladores e encarar esta realidade tal qual ela é. O Joaquim Chissano foi nosso Presidente, sim. Mas não seja apenas por isso que nós temos que lhe dar títulos que ele não merece. Por exemplo, «obreiro da paz» ele não é, porque Moçambique não está em paz. E isto está assim porque ele (Joaquim Chissano) deixou a Renamo continuar continuar com uma guarda armada privada, enquanto «acarinhava» o Afonso Dhlakama em privado.

E também não é verdade que a solução para a paz em Moçambique passa pela eliminação física do Afonso Dhlakama. Ele é nosso concidadão e presta algum papel útil ao nosso processo de construção de Estado de Direito em Moçambique. A propósito, podemos tratar Joaquim Chissano como o Pai do Estado de Direito em Moçambique, porque foi ele que lançou as bases para o actual processo de construção de uma verdadeira república (democrática) em Moçambique. Afonso Dhlakama está a ser instrumentalizado por alguns de nós (moçambicanos), em associação com uma mão externa.

Enfim, vamos continuar a fazer apelos para que ele (Afonso Dhlakama) entenda, finalmente, que está a deixar-se enganar. O lugar dele (Afonso Dhlakama) é entre nós (moçambicanos) e não lá onde os seus enganadores o mandaram entrincheirar-se para fazer bandidagem em nome de uma falsa democracia, enquanto eles (os enganadores) comem do bom bem nas cidades. Esses é que são os verdadeiros bandidos armados e DEVEMOS neutralizá-los para que Moçambique possa, finalmente, alcançar a «paz efectiva».

Já disse.

Obrigado pela atenção!

Julião João Cumbane

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